A Terra é um Organismo Vivo!

big_gaia

Reproduzo a seguir, a teoria desenvolvida por James Lovelock, médico e biólogo inglês em 1972. As considerações a seguir foram extraídas de BOFF (1995), e são citadas no livro “Percepção e Conscientização Ambiental”, por Macedo (2000: 20).

O dióxido de carbono, em Vênus, é da ordem de 96,5%, em Marte, de 98% e, na Terra, alcança apenas a percentagem de 0,03%. O Oxigênio, imprescindível para a vida, é totalmente inexistente em Vênus e Marte (0,00%), enquanto na Terra é da ordem de 21%. O nitrogênio, necessário para a alimentação dos organismos vivos, é, em Vênus, 3,5 % e, em Marte, 2,7%, enquanto, na Terra, é da ordem de 79%. O metano, associado ao oxigênio, é decisivo para a formação do dióxido de carbono e do vapor da água, sem os quais a vida não persiste. Ele é totalmente inexistente nos nossos dois planetas irmãos, que possuem quase o mesmo tamanho da Terra, com a mesma origem e sob o influxo dos mesmos raios solares, enquanto na Terra, representa 1,7 parte por milhão.

Vigora, pois, uma calibragem sutil entre todos os elementos químicos, físicos, entre calor da crosta terrestre, a atmosfera, as rochas, os oceanos, todos sob os efeitos da luz solar, de sorte que tornam a Terra boa até ótima aos organismos vivos. Ela surge destarte como um imenso superorganismo vivo, chamado por Lovelock de Gaia, consoante clássica denominação da Terra de nossos ancestrais culturais gregos.

Assevera J.E. Lovelock: “Definimos a Terra como Gaia, porque é apresentada como uma entidade complexa que abrange a biosfera, a atmosfera, os oceanos e o solo na sua totalidade. Esses elementos constituem um sistema cibernético ou de realimentação que procura um meio físico e químico ótimo para a vida neste planeta.”

Lovelock apontou para a manutenção das condições relativamente constantes de todos os referidos elementos que propiciam a vida. Esse equilíbrio é urdido pelo próprio sistema vida, de dimensões planetárias, pela própria Terra-Gaia. O alto teor de oxigênio ( ele começou a ser liberado há bilhões de anos por bactérias fotossintéticas, nos oceanos, já que para ela o oxigênio era tóxico) e o fraco teor de gás carbônico refletem a atividade fotossintética das bactérias, das algas e das plantas durante milhões e milhões de anos. Outros gases de origem biológica, formando uma estufa favorável à vida, estão presentes na atmosfera terrestre por causa da vida. Na ausência de vida na Terra, o metano, por exemplo, elevar-se-ia dez na potência 29, o que tornaria eficientemente a vida impossível.

Assim a concentração de gases na atmosfera é dosada em um nível ótimo para os organismos vivos. Pequenos desvios poderiam significar catástrofes irreparáveis. Há milhões e milhões de anos que o nível de oxigênio na atmosfera, a partir do qual os seres vivos e nós mesmos vivemos, está inalterado, na ordem de 21%.Caso subisse para 23%, produzir-se-iam incêndios por toda a Terra a ponto de dizimar a capa verde da crosta terrestre. O nível de sal nos mares é da ordem de 3,4%. Se subisse para 6%, tornaria a vida nos mares e lagos impossível, como no Mar Morto. Desequilibraria todo o sistema atmosférico do planeta. Durante os quatro bilhões de anos de existência de vida sobre o planeta Terra, o calor solar subiu entre 30%-50%. Em tempos primitivos, de maior frio solar, como era possível a vida sobre a Terra? Sabe-se que, então, a atmosfera possuía outra calibragem que a atual. Predominava maior quantidade de gases, como a amônia, que funcionava como uma espécie de cobertor grosso ao redor do planeta, aquecendo a Terra e permitindo condições benfazejas para a vida. Com o aquecimento do sol, esta capa foi afinando em estreita interação com as exigências da vida. A Terra, por sua vez, manteve nos milhões e milhões de ano a temperatura média entre 15o–35o centígrados, o que representa a temperatura optimal para os organismos vivos. “A vida e seu ambiente estão tão intrinsecamente interligados, que a evolução diz respeito à Gaia e não aos organismos ou ao ambiente tomados em separado e em si mesmo”. A biota (o conjunto de organismos vivos) e seu meio ambiente co-evoluem simultaneamente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s